Comunicação Digital

Tendências, novidades, notícias e dicas do mundo do Comunicação Digital

Comunicação Digital

14 mar 2021
Seja o primeiro em comentar

O que são fake news: a ponta do iceberg da desinformação

1 estrela2 estrelas3 estrelas4 estrelas5 estrelas (Média: 5,00 de 5)
Loading...

Mais de 70% da população brasileira com internet já acreditaram em uma fake news sobre a pandemia. O percentual é notavelmente alto, mas deve-se levar em consideração que, para afirmar que uma informação falsa foi recebida, é necessário tê-la previamente reconhecido como falsa. Isso significa que, possivelmente, quase toda a população recebeu algum trote relacionado à Covid-19. No entanto, notícias falsas são apenas a parte mais visível da desinformação, um iceberg que está à deriva. Vamos falar sobre isso neste post.

Também pode lhe interessar: Pós-graduação em Marketing Digital e Social Media

Fake news e desinformação, as palavras do ano

Em 2017, “fake news” foi eleito o termo do ano pelo dicionário Collins. No início deste século, o termo começou a ser usado com certa frequência, pois era cada vez mais evidente que estávamos diante de um sério problema no manuseio das informações.

Um problema que tinha a ver tanto com a quantidade quanto com a qualidade da informação. Não foi só a Internet que multiplicou a produção e a circulação da informação ao inimaginável. Acontece também que a mídia tradicional estava em crise e a confiança neles estava despencando.

Mas foi durante a campanha para as eleições presidenciais dos EUA de 2016 que o uso dessa expressão se tornou popular quando Donal Trump usou a expressão como um ator usando uma frase de efeito. Ele repetia isso incessantemente para acusar de falsidade cada meio de comunicação que publicou informações que eram contra ele. Repetiu isso em entrevistas, em comícios e, claro, no Twitter.

Entre 2016 e 2017, o uso do termo fake news aumentou 365%. 

Completando a definição de fake news

A definição no dicionário Collins: informação falsa, às vezes sensacionalista, disseminada como se fosse informação jornalística (“false, often sensational, information disseminated under the guise of news reporting“). Desde então, novos elementos tem sido apontados para completar esta definição.

Intencionalidade: as fake news são o meio para um fim

Um equivalente para fake news é “hoax”, definido como “notícia falsa para algum propósito”. Assim, uma característica fundamental das fake news é adicionada: intencionalidade. Não são simplesmente informações falsas que passam a vida disfarçadas de relatos confiáveis. São informações elaboradas e divulgadas com o intuito de atingir uma finalidade específica.

Esse fim pode ser diverso. Você pode simplesmente fingir que está ganhando dinheiro ganhando cliques em títulos falsos, mas muito chamativos. O objetivo pode ser desacreditar um partido político rival a fim de antagonizá-lo com seus simpatizantes.

As fake news também podem fazer parte das estratégias geopolíticas como parte de uma guerra de informações de todos os países que possuem os meios para isso.

O online: Vertical vs. horizontal

First Draft é uma iniciativa privada dedicada à análise da desinformação. Apontam outro elemento inerente às fake news: são criadas e divulgadas no contexto online.

Até o advento da internet e das redes sociais, as informações obedeciam a um modelo de broadcasting. Os meios de comunicação preparavam e divulgavam as informações. O público se limitava a consumir e comentar durante o café ou esperando a saída das crianças na porta da escola.

Mas a Web 2.0, e posteriores, mudaram este modelo completamente. Agora, praticamente qualquer pessoa pode fazer suas próprias notícias falsas e, acima de tudo, podemos participar da circulação do conteúdo.

Se a antena da qual as televisões ou rádios transmitem é elevada verticalmente, o Wi-Fi nos permite compartilhar o mesmo plano horizontal.

Obviedade: fake news não são até que sejam

O online não implica apenas horizontalidade. Também significa que as notícias falsas precisam ser tudo o que a comunicação digital envolve. Ou seja, um trote, para ser definido como tal, precisa acumular visitas, likes e ser compartilhado. Também requer uma reação oposta. Não basta que o conteúdo circule entre contas que o consideram verdadeiro. Deve despertar desconfiança, crítica e polêmica.

O conteúdo falso definitivamente acabará se tornando uma fake news quando for verificado e marcado como tal. Uma farsa será quando alguém, com evidências, rotulá-lo. O imperador fica vestido até o menino apontar o dedo para ele e gritar para a multidão que ele está nu. 

O gigantesco iceberg da desinformação

Os elementos que nos parágrafos anteriores foram acrescentados à definição inicial de fake news permitem-nos começar a vislumbrar a complexidade do problema que enfrentamos.

O número de circunstâncias que entram em jogo vai da geopolítica à psicologia, passando pelos algoritmos que regem o funcionamento das redes sociais ou da exclusão digital. 

Os vieses de conhecimento nos levam a ignorar todas as informações que questionam nossas crenças e a acreditar piamente em tudo o que nos dá razão. Os algoritmos privilegiam o conteúdo negativo porque a controvérsia cria mais engajamento e nos prendem em uma bolha em que os consumidores sempre consomem o mesmo tipo de conteúdo. A exclusão digital deixa uma boa parte dos cidadãos fora dos lugares onde as conversas públicas agora acontecem.

Aceitar essa complexidade nos leva a ampliar nosso foco. E é a partir dessa visão geral que podemos começar a entender a dinâmica da desinformação que nos ameaça. 

Não somos o Titanic

No Primeiro Estudo sobre o Impacto de Fake News na Espanha, 30% das pessoas entrevistadas afirmaram que informações falsas os haviam causado discussões com familiares ou amigos. Não é a pior coisa que nos poderia acontecer, mas os problemas de convivência também não devem ser subestimados.

De acordo com um Eurobarómetro realizado antes da pandemia, 83% da população da UE identificou a desinformação como um “perigo para a democracia”.

A pandemia também foi uma época em que todos os elementos de desinformação foram exacerbados. Também seus efeitos. A circulação de informações falsas e o fortalecimento das teorias da conspiração colocam e colocam em risco a saúde coletiva.

Mas entre tantos números, também há dados para esperança. Segundo estudo realizado pelo grupo Digilab, em abril de 2020, intitulado “O consumo de informação durante o confinamento devido ao coronavírus”, 73,5% dos entrevistados afirmaram verificar as informações que consideraram duvidosas.

E se a internet e as redes sociais são parte do problema, também podem ser parte da solução. O espírito com que nasceu a rede foi de compartilhar conhecimento e criá-lo juntos. Existem muitas iniciativas que recuperam o trabalho comunitário para combater a desinformação. A comunidade sempre foi um valor na internet e agora é mais necessária do que nunca. 

Cada vez que conhecemos o problema melhor e mais e mais soluções estão disponíveis para nós.

O trabalho do Community Manager contra a desinformação

Informação, contexto online, comunidade… todos esses são elementos-chave do trabalho do Community manager. Entre as muitas tarefas que compõem este trabalho, estão: organizar e gerar conteúdo, agilizar e moderar a conversa em nossos perfis, conhecer o funcionamento das redes que administra, interagir com outras contas… Na maioria dessas tarefas podemos fazer decisões que turvam o panorama da desinformação ou que, ao contrário, ajudam a clarear o horizonte.

Ao selecionar conteúdo de fontes e opiniões variadas, perfuramos a bolha em que os algoritmos nos bloqueiam e compartilharemos uma visão ampla e diversa com nossa comunidade. Se ignorarmos o conteúdo que incentiva o ódio, até mesmo para mostrar nossa indignação contra ele, paramos de servir como oradores. Se compararmos os dados com que lidamos, preparamos um conteúdo rigoroso e confiável.

O primeiro passo, como em tantas outras coisas, é tomar consciência do problema. Nesse sentido, a visão geral que este artigo defende pode ser muito conveniente. Porque, além disso, a visão global também implica assumir que se trata de um problema social e, portanto, todos devem se comprometer por sua própria responsabilidade.

Se você trabalha como Community Manager, tem uma profissão privilegiada para lutar contra a desinformação. Cada vez que conhecemos o problema melhor e mais e mais soluções estão disponíveis para nós. Vamos nos esquivar do iceberg.

O que você achou deste artigo? Você gostaria de gerenciar a comunicação digital e a presença online de uma empresa? Forme-se com a Pós-graduação em Marketing Digital e Social Media onde aprenderá a planejar a comunicação e as redes,  bem como a integração da cultura 4.0 e as mídias sociais nas organizações para desenvolver a nova Empresa.

Pós-graduação em Marketing Digital e Social Media

Aprenda a planejar a comunicação e as redes e a integrar a cultura 4.0 e as mídias sociais nas organizações

Quero conhecer!

Compartilhe e comente este post!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Captcha loading...

IEBS NAS REDES

PRÓXIMOS EVENTOS

BUSCAR NO BLOG